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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

História do Concelho


A história do Município de Figueira de Castelo Rodrigo rica em acontecimentos relevantes para a história de Portugal ocorre principalmente na pequena aldeia de Castelo Rodrigo e nas muralhas do seu castelo.
Cronologicamente destacam-se, entre outros, os seguintes acontecimentos:
· 500 A.C. - Supõe-se que a fundação da povoação de Castelo Rodrigo remonta ao tempo dos Túrdulos que, 500 anos antes de Cristo teriam habitado a região.
· 100 - Mais tarde passaram por esta zona os romanos que a partir do século I fundaram pequenas quintas situadas junto aos cursos de água. Os monumentos mais conhecidos desta época são a “Torre das Águias” na freguesia de Almofala e as pontes romanas de Escalhão e da Vermiosa. Seguiram-se os muçulmanos que deixaram poucos vestígios da sua passagem pela região.
· 1170 - Na época da reconquista cristã as ordens religiosas de caracter militar foram os principais aliados dos nobres na reconquista e repovoamento das terras. A ordem dos monges de Cister edificaram cerca de 1170 o Convento de Santa Maria de Aguiar que servia de base aos monges militares da Ordem dos Hospitalários. Na região entre as freguesias de Cinco Vilas e da Reigada a Ordem dos Templários construíram também um convento onde mais tarde foi edificado um castelo que serviu de sede à Ordem Militar de Cavalaria de São Julião do Pereiro.
· 1209 - O rei de Leão, Dom Afonso IX, concedeu foral a Castelo Rodrigo.
· 1297 - Esta região entrou definitivamente para o domínio de Portugal quando Dom Dinis a conquistou e viu a sua posse outorgada pelo Tratado de Alcanizes.
· 1319 - A extinção da Ordem dos Templários em 1312 não foi muito bem aceite pelo rei Dom Dinis que conseguiu do Papa João XXII a criação, em 1319, da nova Ordem Militar de Cristo como sucessora da Ordem dos Templários. A esta nova Ordem foram atribuídos direitos e privilégios sobre a região que compreende as actuais freguesias de Cinco Vilas, Reigada, Mata de Lobos e Vilar Torpim.
· 1508 – Dom Manuel I renovou o foral de Castelo Rodrigo.
· 1640 – Com a chegada da notícia da revolta de Lisboa ao domínio espanhol o povo, como resposta à opressão, deitou fogo ao palácio de Cristóvão de Moura, Marquês de Castelo Rodrigo, português ao serviço dos Filipes de Espanha, destruindo-o por completo.
· 1642 – Tropas espanholas invadem várias aldeias do concelho como Escarigo, Almofala, e Mata de Lobos. A sua caminhada destruidora só foi detida junto a Escalhão.
· 1664 – No reinado de Afonso VI dá-se nova invasão das tropas espanholas. A batalha da Salgadela, local da freguesia da Mata de Lobos, foi um dos marcos mais importantes da guerra da restauração. A derrota espanhola nesta batalha foi decisiva para que Portugal conseguisse definitivamente a sua independência nacional.
· 1762 – Durante a Guerra dos 7 Anos as tropas espanholas voltaram a ocupar a vila por algum tempo.
· 1810 – Invasões Francesas trazem a guerra e a destruição de novo a esta região.
Alguns vestígios históricos podem ainda hoje ser vislumbrados nesta região nomeadamente os cruzeiros colocados em 1940 nas praças das localidades mártires da Guerra da Restauração da Independência, do campo da Salgadela, onde se desenrolou uma das batalhas mais importantes dessa guerra, e ruínas de pequenas fortificações militares colocadas estrategicamente em locais altos para poderem comunicar entre si, que serviam para proteger as populações do inimigo.
Outra história que se conta sobre esta região remonta ao tempo do Mestre de Avis a quem o alcaide terá recusado a entrada na fortaleza de Castelo Rodrigo. Como represália, o futuro rei de Portugal ordenou que o escudo real, integrado nas armas da vila, fosse gravado de cabeça para baixo.

OS CAMINHOS DE SANTIAGO

A peregrinação a Santiago de Compostela é uma das mais tradicionais peregrinações da Europa. A passagem dos romeiros de toda a Europa por Portugal a caminho de Santiago foi muito intensa entre os séculos X e XIX, altura em que, por vários motivos, esta peregrinação caiu quase no esquecimento. Muitas das localidades do concelho eram pontos de passagem dos peregrinos que se dirigiam à Galiza.
Segundo consta no ano de 44 o rei Herodes Agripa mandou matar São Tiago, O Maior. Os seus discípulos guardaram o corpo e dirigiram-se para a Península Ibérica onde, segundo a tradição, o santo tinha pregado. Guiados por um anjo, chegaram à Galiza e ergueram uma capela onde o sepultaram.
Os séculos passaram e a Península, invadida pelos muçulmanos, foi dominada pela fé islâmica. No ano 813, o eremita Pelaio, que pregava numa pequena igreja, teve uma visão. Acompanhado pelo Bispo Teodomiro, dirigiu-se para um bosque sobre o qual brilhava, intensamente, uma estrela. Descobriu, então, a primitiva capela onde fora sepultado São Tiago.
Quando Dom Afonso II, rei das Astúrias, foi avisado, dirigiu-se para o local. Com grande pompa, os restos mortais do santo foram conduzidos para Compostela, tornando-se num dos principais centros de peregrinação do mundo cristão.
Os peregrinos tinham por costume levarem conchas presas nas capas que simbolizavam o perdão. Era tão grande o fluxo dos peregrinos, vindos de todos os pontos da Europa para Compostela que, no século XII, foi escrito o “Codex Compostellanus”. Este conjunto de 5 livros dava indicações aos peregrinos, sugerindo-lhes os vários percursos e prevenia-os contra os diversos perigos e vigarices de que poderiam ser alvo durante a sua caminhada.
Um dos caminhos ao qual a cruz situada à entrada das eiras, na freguesia de Mata de Lobos, dava acesso, sairia de Escarigo, seguia por Almofala e passava pelo Convento de Aguiar.
Na pequena aldeia raiana de Escarigo há uma rua denominada “rua da albergaria”, onde se encontra uma casa com porta e janela quinhentistas. Ai funcionava uma albergaria que dava apoio ao romeiros. Numa outra casa, perto da Igreja Matriz, existe uma janela ornada com conchas um dos símbolos dos peregrinos.
Em Almofala , solitário, mas orgulhoso da sua beleza, com o musgo a cobrir alguns pedaços do cinzento granito, ergue-se, num alto sobranceiro à freguesia, o “Cruzeiro Roquilho”, do século XVI. Ornado com motivos alusivos à peregrinação entre os quais um cordeiro e conchas esculpidas na pedra, indicava-lhes os percurso.
Passando ao lado do “Casarão da Torre”, a viagem prossegue. Lá no alto, as ruínas do Castelo Rodrigo. Na Igreja Matriz, o púlpito de granito, mostra-nos novamente a “vieira”, símbolo dos peregrinos.
A serra da Marofa era o ponto de referência para a continuação da viagem. A meio da encosta, o caminho dirigia-se para a aldeia do Colmeal seguindo por Pinhel, Trancoso, Lamego prosseguindo para Trás-os-Montes e Minho, até à Galiza.
O outro percurso vinha de Escarigo até ao Convento de Santa Maria de Aguiar, como o anterior. O interior do Convento, amplo e fresco, reconfortava os peregrinos cansados da dura jornada dando-lhes novas forças para continuarem o seu caminho para Castelo Rodrigo. Daqui seguiam para Escalhão e continuavam até Barca d’Alva. Atravessado o rio Douro o percurso continuava por Freixo de Espada a Cinta, Miranda do Douro, Bragança, Chaves e finalmente a Galiza.


2 comentários:

Helena Teixeira disse...

Olá! Deixo um convite: Junte-se a nós no dia 10 de Junho, no Convento dos Frades, em Trancoso, num duplo evento: «Encontro de Bloggers e lançamento do livro "Aldeias Históricas de Portugal - Guia Turístico". Para estar presente, envie um mail para aminhaldeia@sapo.pt a solicitar o formulário de inscrição e o programa das festividades. Faça-o com antecedência, pois as inscrições são até dia 2 de Junho.

Abraço
Lena

Miguel K2 Sampaio disse...

Boa Tarde
O meu nome é Miguel Sampaio e fiquei muito curioso sobre o trajecto do Caminho de Santiago por terras de Castelo Rodrigo.
Sendo eu um peregrino de S.Tiago gostava de mais algumas informações sobre este trajecto pois uma das coisas que aprecio é os itinerários jacobeanos perfeitamente desconhecidos.
Deixo aqui o meu email
miguel.sampaio.k2@sapo.pt
Cumprimentos
Miguel Sampaio