Ocupando uma área de 503,12 km2 este concelho do distrito da Guarda é constituído por 17 freguesias e a sua população, segundo os últimos censos, é cerca de 9 mil habitantes. É limitado a Norte pelo concelho de Freixo de Espada à Cinta; a Sul pelos concelhos de Almeida e Pinhel; e Este pela Espanha e a Oeste pelo concelho de Foz Côa.
Freguesias do concelho (principais características):Algodres; Almofala; Castelo Rodrigo; Cinco Vilas; Colmeal; Escalhão; Escarigo; Figueira de Castelo Rodrigo; Freixeda do Torrão; Mata de Lobos; Penha de Águia; Quintã de Pero Martins; Reigada; Vale de Afonsinhos; Vermiosa; Vilar de Amargo; Vilar Torpim.
Freguesias com maior área:
1. Escalhão – 7843 Hectares;
2. Colmeal – 4002 Hectares;
3. Vermiosa – 3950 Hectares.
Freguesias com mais população residente:
1. Figueira de Castelo Rodrigo (cerca de 2400 habitantes);
2. Escalhão (cerca de 1100 habitantes);
3. Vermiosa (cerca de 550 habitantes).
A freguesia do Colmeal tem actualmente cerca de 100 habitantes.
HIDROGRAFIA

O concelho é delimitado pelos rios Douro, que corre a Norte e serve de fronteira com o concelho de Freixo de Espada à Cinta; rio Águeda, que serve de fronteira com Espanha em grande parte do percurso, e rio Côa. Existem ainda algumas pequenas ribeiras de que se salienta a Ribeira de Aguiar, que desagua no Rio Douro, e a de Avelal, afluente do Côa.
Na freguesia de Almofala foi construída à alguns anos uma barragem na Ribeira de Aguiar que fornece água a todo o concelho.
Na freguesia de Almofala foi construída à alguns anos uma barragem na Ribeira de Aguiar que fornece água a todo o concelho.
OROGRAFIA
Os depósitos de sedimentos acumulados no fundo marinho que formam a mancha de xisto da região das Beiras e Trás-os-Montes são a prova que esta região já esteve submersa no passado longínquo. A paisagem é caracterizada pela austeridade inserindo-se no extenso planalto que se estende desde o rio Douro até à Serra da Malcata, no concelho do Sabugal. Apesar da forte presença do xisto no solo a rocha mais abundante nesta região é o granito.
Os pontos mais altos do concelho são a Serra da Marofa, com 977 metros, Serra da Viera, com 879 metros, Castelo Rodrigo, com 821 metros, a Serra de Nave Redonda, com 776 metros, e a Serra da Caldeireira com 741 metros. Como curiosidade o ponto mais baixo situa-se em Barca d’Alva, no Rio Douro, com 142 metros.
Este concelho é muito rico em espécies cinegéticas como a perdiz, a rola, a lebre e o coelho que povoam os campos da região juntamente com algumas espécies selvagens como a raposa, o lobo, a águia, o milhafre, a coruja e o abutre. Falta referir a cegonha que tem uma tradição muito especial neste concelho e que por esse motivo será objecto de mais alguma atenção.
FLORA
Demografia
Os solos compostos em grande parte por granito e xisto e o clima bastante agreste são um obstáculo ao desenvolvimento da agricultura nesta região. Só com muito esforço os pequenos agricultores da região conseguem produzir nas suas pequenas hortas o necessário à sua subsistência. A excepção é a elevada produção de cereais sendo o concelho um dos principais produtores do norte do país. Não é um concelho com grande índice de florestação mas encontram-se ainda assim alguns castanheiros, sobreiros, carvalhos e pinheiros. As principais árvores de fruto são a figueira e a macieira que juntamente com a oliveira, as amendoeiras e a vinha são as principais fontes de riqueza da região. Devido ao microclima da região de Barca d’Alva desenvolveu-se ai uma produção curiosa de laranjais.
CLIMA
O clima desta região é caracterizado por pouca precipitação, devido à barreira formada pelo conjunto de serras que se estendem do litoral norte até à região do Caramulo onde é descarregada grande parte da água transportada pelas nuvens, e por grande variação das temperaturas ao longo do ano. Regra geral o Inverno é frio e pouco chuvoso e o Verão muito quente e seco.Inverno – É uma estação do ano muito fria. Nas noites em que o céu está limpo aparecem fortes geadas, muito prejudiciais para as pequenas culturas, que cobrem os telhados por uma fina camada de gelo. Nos meses de Janeiro e Fevereiro é frequente a queda de neve. A congelação da pouca chuva e do orvalho dá origem ao denominado “sincelo”, pedaços de gelo que ficam pendentes dos telhados e das árvores.
Primavera – Os sinais do inicio da Primavera são dados por acontecimentos característicos deste concelho; o regresso das cegonhas e o florir das amendoeiras. Nesta época a precipitação aumenta consideravelmente o que torna os campos verdes e a paisagem deslumbrante.
Verão – O forte calor e a ausência de chuva desta estação pinta a paisagem com tons de amarelo dando um aspecto agreste à região. Em muitas ocasiões o calor torna-se sufocante o que dificulta ainda mais a vida dos pequenos agricultores que dependem das suas pequenas explorações para sobreviver.
Outono – É uma estação relativamente curta pois o frio chega cedo principalmente como resultado dos fortes ventos vindos do Norte; o vento “cieiro”. Aparecem também as primeiras chuvas que são o primeiro sinal para o inicio de novas culturas.
O clima agreste foi desde sempre um dos principais problemas para a fixação de população nesta região. As dificuldades em ver as culturas prosperar levaram ao abandono, cada vez em maior escala, dos campos cultivados e consequente desertificação dos solos. À população não restou outra alternativa senão abandonar as terras e migrar para o estrangeiro, para Lisboa ou para Coimbra.
ECONOMIA
As actividades económicas mais importantes deste concelho são a agricultura e a criação de gado. Como complemento a estas actividades o artesanato tem ainda hoje alguma importância.
A agricultura nesta região é bastante difícil e pouco compensadora devido aos solos serem muito duros e pedregosos. A propriedade é do tipo minifúndio, predominando a policultura. Perto das povoações predominam as hortas, com terrenos de melhor qualidade, cultivam-se as batatas, cebolas, feijões e abóboras assim como a vinha, olivais e árvores de fruto. Nos campos mais afastados, que ainda são cultivados, produz-se trigo e centeio.
A criação de gado, particularmente a pastorícia, é outra das principais actividades desta região. A existência de grandes rebanhos de ovelhas permitia obter leite e queijo em abundância e vestuário bastante quente que permitia passar melhor o Inverno agreste e frio.
Entre as actividades artesanais mais conhecidas desta região salienta-se a construção de cadeiras, a cestaria, a latoaria, a olaria, a ferragem, a tecelagem e a gastronomia.
USOS E COSTUMES
A casa tradicional era de um só piso, com paredes em granito ou xisto, telha vã e sem reboco. Por baixo da casa existiam lojas térreas onde eram guardados aos animais, as alfaias agrícolas e o vinho. O chão era de terra ou lajes e na cozinha, divisão mais importante da casa, a lareira era um componente omnipresente. Nas casas mais antigas não existiam chaminés. O fumo saía por um buraco formado por algumas telhas levantadas e apoiadas umas nas outras com o auxílio de uma pedra. A porta da rua era formada por duas peças: a de baixo inteiriça; e a de cima em forma de postigo onde residia a fechadura.
A necessidade de aumentar o número de divisões levou posteriormente à construção de um piso superior com escadas no exterior e balcões cobertos por um alpendre apoiado em pilares de pedra. No piso superior ficavam os quartos e no inferior a cozinha e as arrecadações. A divisão entre os compartimentos da casa era feita de taipa que consistia numa armação de madeira revestida com barro. O burel, obtido da lã, era a base do vestuário. Com ele se faziam as blusas e saias para as mulheres e as calças para os homens. O traje mais vistoso era composto por meias de lã ou algodão até ao joelho, blusa de chita ou flanela e saia de riscado ou fazenda grosseira. A envolver o corpo, nos dias frios, usavam um xaile ou a capa e calçavam tamancas ou chinelos. Os homens vestiam fatos de “saragoça” e calcavam tamancos ou botas. Para segurarem as calças, usavam uma faixa preta que lhes dava três ou quatro voltas à cinta.Entre os costumes tradicionais salienta-se pela sua curiosidade o denominado costume da “patente”. Quando um rapaz de fora da localidade visita pela primeira vez a família da namorada, é obrigado a pagar o cântaro de vinho e um pacote de cigarros de “cabeça atada” aos rapazes e rebuçados às raparigas. Uma “comissão” do povo dirige-se a casa da moça visitada, chama pelo rapaz, e explica-lhe a razão da visita. Enquanto não pagar o “exigido por lei”, o forasteiro não é bem aceite pela comunidade.








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